Procuro no mais fundo de mim
uma gota do meu antigamente.
A inocência que me punha em carmim
as faces, consecutivamente.
A alegria que me inundava a alma,
o calor que me cobria o abraço.
A doçura, a ternura e a calma,
dos quais não lampejo um só traço.
E o amor universal que fluia
dos meus actos e dos meus movimentos!
O louco entusiasmo com que eu vivia
as conquistas e os envolvimentos.
E o brilho no olhar azul, azul,
a confiança na Vida e na Verdade;
no corpo o calor dos mares do Sul
e o alegre fulgor da mocidade.
Procuro no mais profundo de mim
uma gota do meu antigamente.
Que vejo? O desalento sem fim
preenchendo-me completamente.
Helena Guimarães